"No momento é o jazz que toca; não há melodias, apenas notas; uma miríade de curtas sacudidelas. Elas não param, uma ordem inflexível as origina e as destrói, sem nunca permitir que se recomponham, que existam por sí. Elas correm, se apressam, de passagem me dão um golpe seco e se obliteram. Gostaria muito de retê-las, mas sei que, se conseguisse deter uma, só me ficaria entre os dedos um som apagado e vulgar" (SARTRE. P.37).
Náusea é um romance de 1938 do escritor e filósofo existencialista, Jean Paul Sartre. A obra é formada pelo diário do narrador-personagem, Antone Roquentin, que disserta sobre seu cotidiano e suas considerações acerca de sua existência enquanto trabalha na biografia do Marques de Rollebon e mora em uma pequena cidade francesa, chamada Bouville.
Os relatos iniciam a partir do momento que o sr. Roquentin começa a sentir náusea, quando sua percepção sobre as coisas ao seu redor não lhe parece normal. De início, há a possibilidade dos objetos à sua volta terem se modificado. Então a estranheza residiria ali, na modificação das coisas aparentemente estáveis. Entretanto, com o andar da narrativa, as considerações do personagem o levam a outra conclusão, mas a conclusão é, na verdade, a parte secundária.
Náusea, de Sartre, é um romance existencialista não simplesmente pelas considerações acerca da existência, sufocantes de tão verdadeiras, mas sim porque lhe faz sentir, além de pensar sobre as divagações do personagem. Diria que na minha opinião, é um livro mais sensitivo que racional, e aí reside, então, toda sua genialidade.
Ao invés de simplesmente racionalizar sobre as sensações descritas, você passa a sentir e a se enxergar exatamente como Antone Roquentin. As pessoas ao seu redor lhe parecem andar de maneira mais lenta, à medida que suas considerações cercam os passos delas, as ruas em que andam, os lugares que frequentam e que são preenchidos por toda aquela estrutura de ossos, carnes e visão. Quanto mais se avança a narrativa, também mais sua consciência sobre si mesmo se expande. De repente, as mãos que seguram o livro, o rosto que você olha no espelho, parecem ou desconexos, ou muito verdadeiros e pesados, quase algo que você não acredita ter conseguido levar durante todo o tempo em que está vivo.
Náusea tira essa naturalidade com que se encara a vida. De repente, tudo lhe parece não só um acontecimento, mas uma catarse.
Náusea, de Sartre, é um romance existencialista não simplesmente pelas considerações acerca da existência, sufocantes de tão verdadeiras, mas sim porque lhe faz sentir, além de pensar sobre as divagações do personagem. Diria que na minha opinião, é um livro mais sensitivo que racional, e aí reside, então, toda sua genialidade.
Ao invés de simplesmente racionalizar sobre as sensações descritas, você passa a sentir e a se enxergar exatamente como Antone Roquentin. As pessoas ao seu redor lhe parecem andar de maneira mais lenta, à medida que suas considerações cercam os passos delas, as ruas em que andam, os lugares que frequentam e que são preenchidos por toda aquela estrutura de ossos, carnes e visão. Quanto mais se avança a narrativa, também mais sua consciência sobre si mesmo se expande. De repente, as mãos que seguram o livro, o rosto que você olha no espelho, parecem ou desconexos, ou muito verdadeiros e pesados, quase algo que você não acredita ter conseguido levar durante todo o tempo em que está vivo.
Náusea tira essa naturalidade com que se encara a vida. De repente, tudo lhe parece não só um acontecimento, mas uma catarse.
Seria até perigoso que eu me identificasse um pouco mais com o personagem Antone Ronquentin. Mas certamente o que me fisgou já foi o suficiente, não somente para preocupar-me, mas para extasiar-me também. Há algo na consciência de saber-se que é digno de nossa atenção.
