Na pele que de casta fui pintada
mulher, fingi-me em tecidos mansos
ignorando a fina dor de um nervo
que me gritava sem descanso:
Segue e olha a tua fibra destemida
mulher não se acalente com poucas carícias
E assim feliz fui descascando
caiu uma camada de fino pranto
depois outra camada de submissa
e na medida em que ia me levantando
seguia a violência contra a minha rebeldia
desvelado doce sonho de criatura tardiamente colorida
Levantei-me finalmente trajando todas as vestimentas
os papeis que não me cabiam
os sorrisos que não me permitiam
os sonhos que me vetavam
as lutas que me tomavam
os sonhos que me vetavam
as lutas que me tomavam
E o tecido manso escorreu
E eu vestida, assim,
fui-me acreditando
Ser tudo o que é
MULHER
Nenhum comentário:
Postar um comentário