domingo, 2 de setembro de 2012

Poesia recitada na marcha das vadias


Na pele que de casta fui pintada
mulher, fingi-me em tecidos mansos
ignorando a fina dor de um nervo
que me gritava sem descanso:
Segue e olha a tua fibra destemida
mulher não se acalente com poucas carícias
E assim feliz fui descascando
caiu uma camada de fino pranto
depois outra camada de submissa
e na medida em que ia me levantando
seguia a violência contra a minha rebeldia
desvelado doce sonho de criatura tardiamente colorida
Levantei-me finalmente trajando todas as vestimentas
os papeis que não me cabiam
os sorrisos que não me permitiam
os sonhos que me vetavam
as lutas que me tomavam
E o tecido manso escorreu
E eu vestida, assim, fui-me acreditando
Ser tudo o que é
MULHER

Nenhum comentário:

Postar um comentário