Seu rosto às vezes me foge.
Quando o encontro e o reconheço, sinto o ímpeto de aproximar-me para lhe
dedicar os cumprimentos aos quais estávamos acostumadas. Por isso, preciso
conter-me ao lembrar-me em cima da hora e com tristeza, que nos deslocamos para
o espaço neutro e incômodo dos conhecidos desconhecidos.
Às vezes quando aparece à minha
frente, sinto dificuldade de lhe reconhecer. Não no sentido de saber quem és,
mas no sentido de não poder encontrar em ti as feições antigas, doces, confusas, mas
amigas. Sinto grande tristeza por não ter me empenhado em desenvolver as
intimidades de nossa amizade, de fortalecer os laços, prolongar as conversas,
os momentos, os desabafos.
Achava eu que já estava fazendo
alguma coisa, dedicando-lhe admiração e sentimentos bons, dando-lhe minha
atenção e minha preocupação. Mas talvez não tenha feito suficiente. Talvez
tenha falhado em lhe mostrar o tamanho do meu afeto.
Algumas pessoas, entretanto, tem
esse efeito em mim. Aguçam algum sentimento materno, mas pela complexidade de
suas personalidades, deixam-me tímida. Sinto vontade de proteger, ao mesmo
tempo em que sinto medo de limitar, de mal interpretar, de chatear. Acabo,
portanto, mantendo-me neutra, encolhida. Isso pode ter acabado com as
oportunidades que eu tinha de lhe mostrar o quanto eu realmente me importava.
Com você, e não com outra pessoa.
Aqui permaneço, no entanto, ainda
atenta. Preocupada quando lhe encontro em qualquer situação estranha, querendo
lhe falar algumas palavras atenciosas e temerosas, tentando lhe passar algum
conselho irritante. Mas nada posso fazer, meu tempo passou. Disse que respeitaria seu afastamento e
respeito, dedico-lhe nada mais que o silêncio, e talvez um olhar saudoso, ao
passar por ti no corredor.
Gostei do que vi por aqui, tu escreves bem.
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