segunda-feira, 13 de abril de 2015

Minhas novas primas e primos não me conhecerão

Vejo essa nova geração de pequenos nascendo na minha ~ família ~ cercado de cuidados, manhosos, enfeitados pelas famigeradas cores verde e amarelo e acanho-me. Aliás, será essa a palavra? Envergonho-me. Pronto. Sei que não terei nada a falar para elxs, e mesmo que fale, seus respectivos núcleos familiares farão o possível para desmentir-me, como fazem os pais dos alunos com quem agora tenho contato. Percebo que qualquer esforço é ralo, falho. O meio que os cerca é por demais forte, e talvez as certezas que elxs vem recebendo agora só serão rompidas se acaso elxs mesmo busquem no futuro, ou desconfiem eventualmente, dos motivos e das explicações rasas e fáceis que vêm recebendo até então. Entretanto, isso só acontecerá se acaso essas verdades os afetarem diretamente de alguma forma, senão, todo um mundo de privilégios e verdades excludentes será mantido.

Aliás, você percebe que não há muito o que fazer quando sua ~prima~ mais velha, formada e etc e tals possui um buldogue com o nome de uma mulher que foi responsável pela desgraça de várias trabalhadoras e trabalhadores na Inglaterra. Ou ainda quando a mesma ~ prima ~ lança no wpp uma piada racista, que faz todos seus outros ~ familiares~ se esbaldarem de rir. Enfim, essa coisa de laços genéticos sempre me fez refletir, mas hoje em dia sinto-me bastante tranquila para simplesmente dizer que meus novos primos e primas não conhecerão, pois mesmo que me vejam, mesmo que os estenda a mão em um cumprimento - provavelmente em alguma ocasião social forçada - eles me verão apenas como Floriano, e eu não farei qualquer esforço para que me conheçam na minha individualidade.


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